meu livro impublicado

Um dia eu escrevi um livro. Tinha todos os poemas compilados e revisados com uma temática embasada em um transtorno psiquiátrico e o processo de degradação do ser humano em razão de fatores que, em sua maioria, fugiam ao controle do eu-lírico.

Após tratativas de publicação, várias editoras entraram em contato. Algumas com pretensão de assumir o risco de publicar o livro, outras somente admitindo a impressão se houvesse um pagamento mínimo de cópias.

Seria interessante. Seria minha primeira publicação fora os blogs que escrevo e deleto há quase 20 anos.

Mas não dei continuidade. Deletei todos os poemas e todas as suas cópias. Em um acesso de raiva coloquei minha inabilidade com o outro em primeiro lugar.

Eram relatos de dor, sofrimento, paixão e ódio. Mas eram sentimentos que suscitavam emoções e linhas de pensamentos que eram genuínas do meu transtorno limítrofe.

Ainda continuo minha caminhada. Tentando evitar a intensidade que talvez me leve embora. Busco algo além da minha dor, embora tenha horas em que eu grite “NÃO QUERO SENTIR AS COISAS TÃO FORTES ASSIM!”.

Fico triste porque poderia haver identificação entre semelhantes. Quando dividia a dor, sempre conseguia diminuí-la.

Infelizmente, não há cópias do livro “Complexidades Reticentes” e a epopeia umbilical de paixões borderlines.

Mas as cicatrizes continuam, contas caras a serem pagas, internações incompletas e psicotrópicos que me ajudam a controlar meu desejo violento de retroagir minha evolução.

11 comentários

  1. Eu posso te indicar uma editora que não vai te considerar cliente. Eles vão te entregar o justo. Por experiência própria, conheço esse mercado. Ajudei a fundar uma editora que se iniciou despretensiosa. depois tomou proporções, mas nunca abandonou a essência combativa, anticomercial. Sem nome consolidado, por mais talentoso e valoroso, por maior relevância e urgência que tenham as nossas mensagens, as coisas que trazemos do inominável, desde o reverso do avesso, no “mundo da matéria densa” isso tem pouco valor. Te digo de irmão, com sinceridade anímica: o teu trabalho abnegado, gratuito, já cumpre esse papel de “acender luzes”. O resto é a nossa vontade de sermos reconhecidos. Teu objetivo primário já foi alcançado, para além do que tu imaginas. Foda-se o livro impresso, foda-se a glória. O que tu trazes, sem pedir em troca, é mais valioso do que podes supor. Parabéns, e relaxa!

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  2. Cara, não o conheço pessoalmente, mas, tenho acompanhado seus escritos aqui no Blog. Em geral são muito bons, com uma pitada existencialista no estilo de Kierkegaard… o ser humano como ser de angústia, movido pelo desespero entre finito e infinito. Algo em comum na maioria dos/as blogueiros/as que acompanho: uma sede de viver e de ajudar outras pessoas a também viverem melhor. Contudo, tenho percebido um ‘certo’ querer que ‘talvez, passe pelo que escreveu acima Caco Belmonte, uma vontade de sermos reconhecidos. Se posso dizer-lhe algo, quando tiver desejo de deletar o blog, faça-o, mas, antes envie seus textos para um e-mail, por exemplo, assim, quando quiser ou estiver mais em paz consigo, crie outro blog, ou um e-book e publique-os novamente.. Bora lá meu caro.

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    • Entendo o que está dizendo. A intenção é escrever pra registrar um período, uma constatação, uma foto de algo que parece ser realidade e às vezes transgredir tudo isso. Agora eu não tenho um projeto literário. Mas se tiver, vou meter bronca no conto ou romance. Diferente do que é o blog. Poema e Internet combinam cabelo e piolho. Áreas que entendo diferentes. Mas obrigado pela análise e pela leitura.

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      • A ideia é não pensar que o presente é o único tempo que temos… Muitas vezes algo que hoje acreditamos não valer de nada, amanhã, pode ter um valor imenso… por isso, vale á pena guardar…

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  3. Amigo, gosto do que escreve… o mundo, é difícil para os poetas, no entanto, é melhor ser poeta, escrever por puro prazer, para exorcizar os demônios internos. Posso te dar um insight sem pretensões? Talvez te sirva para algo… Já lutei contra o meu ego, tentei mata-lo, exclui-lo, porém, minha vida se tornou limitada, complexa e triste. Entendo bem isso, participei de uma sociedade secreta que cultuava a morte do ego, e, acredita, sei exatamente o que sente com respeito a isso. Porém, para de lutar contra o ego! Ele é como uma criança rebelde, pega ele pela mão e ensina o que queres que ele compreenda. O ego, não é o mau absoluto, isso é uma estratégia para manipular nosso pensamento. Saiba que se não tivesses ego, nem estarias mais aqui, tudo o que escrever e fazes, ele faz contigo, no, o, mates, é inútil e frustrante. Ensina-lo a ser o que queres, e ele vai te dar o seu melhor. Mesmo que não concordes hj comigo, te entendo, já arrumei brigas com pessoas por discordardarem disto que estou te dizendo hj, apenas se distancia do quadro e observa. Fica bem, abraços!

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    • Sociedades secretas!? Rs… Eu penso que se no final de uma ordem iniciática eu descobrir que a pedra do Gênesis é um chiclete mascado, vou ficar muito frustrado. Estou dando tempo para testar uma dita secreta, mas que aceita inscrições pela internet. Estou indo nas fontes. Meio sem filtro. Entendo a supervalorizacão do ego, mas entendo também que se ele existe é por um motivo. Talvez o processo de quebrá-lo e retomá-lo seja o grande barato. Quero aprender sobre o faz eu ficar uma hora e meia em um shopping para meu filho jogar Just Dance e o que faz eu ler internado em uma clínica um livro sobre medicina alternativa enfatizando a Árvore da Vida e números mágicos. Se você pudesse me adiantar os segredos ocultos, pouparia tempo para eu visitar cachoeiras ou comprar qualquer hobby para preencher meu tempo ocioso de vida.

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