Cotidianas – 3

Meio da semana passada e eu na bad, questionando a nossa existência solitária e sem sentido neste recorte do tempo e do espaço, dentro de um redemoinho de dúvidas e angústia, super emocionada com o comercial de macarrão instantâneo que passava na televisão.

Uma pentelha manteiga-derretida. A lua estava estagnada em Câncer. 

Deu uns dias, olho na agenda e me lembro sem assombro que aquele final de semana é de comemoração: amigos celebrariam a união com um lual numa vila de pescadores.

Remota, bem remota. E eu nem dirijo.

Me dou conta de que esqueci de marcar hotel. Mando um zap para minha prima, sangue-bom, daquelas ‘tá comigo, tá com Deus’. Ela pede que eu não me preocupe e confirma que há espaço na barraca dela. ‘Aqui sempre tem vaga pra mais uns cinco, fera. Fique tranquila’.

‘Dormir na praia, ter as estrelas como cobertor. Tomar banho na cachoeira gelado e ir pra festa de canga e chinelo, quem nunca?! Claro que eu topo!’

A lua – claramente – andava por Sagitário.

Na outra segunda-feira acordei virada no Jiraya, mil e um abacaxis para dar conta, mas acordei assim, plena e linda. ‘Cútis de raposona felpuda’, e sou foda, e mato no peito e goleio de cabeça e “aaa coooor desta cidaaaaade souuuu eeeeeeu, o canto desssstaaaaa cidadeee…” a lua, desta vez, transitava por Leão. 

Sexta-feira finalmente, chego em casa com uma energia incomum – ótimo, já que ando mesmo me coçando para dar uma ‘ajeitadinha’ por aqui. E depois de um dia inteiro de labuta, ainda consigo arrumar tempo para passar, desinfetar, costurar, cozinhar, esfregar.

Não tem nada que dê tanta paz no coração do que aquele olho ardendo levemente depois de usar Qboa em excesso.

Um copo de água antes de ir dormir – obviamente também lavado, secado com pano de prato imaculadamente branco e devidamente guardado após o uso – ‘somente selvagens deixam louça largada na pia depois da faxina.’

A sensação de plenitude que veio seguida depois do dever cumprido e junto com cheiro de alvejante no ar só tem uma explicação: a lua obviamente está em Virgem, minha gente! 

E você aí, todo científico, achando que as conexões com o etéreo, todas muito além do seu pífio entendimento racional de descendente de macaco podem ser sentidas com o cérebro e não com as entranhas.

Sabe de nada, inocente! Faça um favor para você mesmo e se joga nos manual do Joao Bidu.

Presságios de um futuro bom sempre estarão a disposição a quem interessar possa, por módicos troquinhos na banca de jornal mais próxima de você.

(Texto de Beatriz)

3 comentários

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