quem, Tiago?

e agora que a chuva cai, Tiago?
onde você vai se esconder
de você mesmo?

e agora que a máscara cai, Tiago?
quem corrigirá seus textos
e dará atenção?

quem observará se você
está online
quem perguntará se você
está bem
quem preparará seus ovos
mexidos
quem chamará você para
briga

quem, Tiago?

quem gostará da sua companhia?
quem pagará seu almoço?
quem esquentará suas costas?
quem irá reprovar sua atitude?

quem, Tiago?

quem substituirá você por outro?
quem gerará insônia no seu sono?
quem provocará o seu ciúmes?
quem simulará indiferença?

quem você poderá
culpar agora
pela chuva,
Tiago?

a dor do poema

digito… odeio
digito… odeio
digito… odeio

publico… detesto

apago tudo em um ímpeto de raiva e desprezo.

ou não gosto do que vejo. ou não vejo o que gosto. ou é pobre poesia. ou é agressivo. ou é apaixonado demais. ou não faz sentido. ou o sentido é o medo que me traz.

não encontro o poema. o ritmo pode ser bom, as palavras são artificiais demais. as palavras são boas, mas o ritmo é irreconhecível.

não vem. não vem. não tem como forçar.

já deletei vários sites por raiva do que foi escrito. sou volúvel como alguém que diz que ama e troca as pessoas a cada sentença. as palavras mentem. as pessoas mentem. eu minto o tempo todo para trazer palavras novas que provoquem qualquer dor em mim. eu preciso do poema. preciso da dor. preciso me sentir vivo e abandonei o punhal. preciso de algo que não seja só olhar para o vazio que ficou dentro de mim depois que percebi que não era nada daquilo.

não puxarei seu pé

se acaba para mim
não me trate desigual
esvaindo todo dia
um pouco mais

fiz o meu melhor
pelo menos no final
deixando a poesia
e algo de paz

acostumo quem amo
ao som deste umbral
vejo a ironia
que o tempo traz

um crepúsculo adorável
digno de um funeral
sono que me guia
pó que me perfaz

lembre do meu sorriso
ao coar o seu café
ao tocar nossa música
ao duvidar da fé
guiarei o seu caminho
não puxarei seu pé